Quem é Melania Trump?

 

 

 

Para escrever este texto baseei-me em textos jornalísticos e alguns, claro, tirados da internet, e sobretudo no que observei nas fotografias de Melania Trump e da família Trump. Apesar de ter citado fatos de sua vida, não queria só prender-me a eles, por já serem bastante conhecidos. Muito do que eu aqui afirmo sobre ela é resultado destas observações, ou seja, são conjeturas fundadas na minha forma de querer compreendê-la. Também fiz citações de outras pessoas, mas sem deixar de mencionar seus nomes.

A Eslovênia durante os anos do regime socialista iugoslavo era uma região pequena, pacata, segura e rica; uma paisagem maravilhosa formada de tudo o que a natureza viva pode oferecer como beleza: florestas verdíssimas, montanhas dos Alpes, rios e o mar Adriático, que faz parte do mar Mediterrâneo, embora lhe dando uma costa bastante reduzida de 40 quilômetros entre a Croácia e a Itália sempre foi querida por turistas. Hoje como um país independente, continua lindo, um dos países mais pacíficos do mundo, não pertence ao terceiro mundo, tem um PIB bastante alto para um país recente, pois a sua independência da velha Iugoslávia socialista em 1991 deu-se em apenas dez dias, numa guerra para defender suas fronteiras, quando finalmente triunfou.

Melania Knavs viveu nesse idílio até os dezoito anos, abandonando esse paraíso e rompendo com uma sociedade politicamente igualitária – como a que um regime socialista pode oferecer aos seus habitantes – no fundo uma dissidente – para ir tentar exatamente o contrário: uma vida movida por princípios individualistas como modelo. Ela sabia, desde pequena, que tinha dotes para mostrar; sua mãe que trabalhava numa fábrica têxtil, conseguia que sua filha de cinco anos desfilasse para a moda infantil local. Não se sabe bem se com 17 anos ou menos foi finalmente descoberta por um fotógrafo, o que é a prova de que ela apenas tinha começado o curso de arquitetura para trocá-lo pelas passarelas – e quem sabe fisgar um milionário? – a Eslovênia socialista devia ser uma sociedade onde mulheres punham muita expectativa num futuro promissor com um homem rico, claro.

Não é de estranhar que desde cedo ela já perseguia uma saída individual, totalmente contraditória ao sistema de base: vencer por conta própria, primeiro em Paris e Milão, pois estas cidades não ficavam longe de sua terra natal e o contato com Sevnica, onde cresceu e ainda moravam seus pais era mais fácil; contudo a jovem Melania queria mais que estes dois centros e tentou ser famosa no cume da moda internacional – Nova York – isto foi em 1996 e Melania já tinha 26 anos, uma idade um tanto já avançada para começar uma carreira de modelo nas passarelas, outrossim a cidade de Nova York como sempre se esgotava de jovens lindas, esbeltas, de todas as partes, em busca frenética do êxito como modelos, o que tornava a demanda de trabalho insuficiente. Ela conheceu estas dificuldades e teve que pousar para publicidades de cigarros e bebidas alcóolicas, pois para isto já tinha idade suficiente, como também para pousar nua. Sua vida se transformou, porém, quando apareceu fotografada para um cartaz da Camel na Time Square.

Quando vi pela primeira vez uma foto de Melania, ela já era uma Trump. Assustei-me com o seu semblante; seu rosto ressumava uma dureza plástica como um manequim de vitrine, uma fisionomia impenetrável. Na fotografia pousavam o casal Trump e o filho circundados por um cenário de luxo palaciano numa cobertura nova-iorquina, onde toda essa pompa não parecia ser de um lar, mas bem derramava-se em hostilidade. Barron, de dez anos, montado num leão artificial, enquanto sua mãe, tão inexpressiva como uma estátua, exibia um vestido que dava a impressão de flutuar ao vento – embora as janelas estivessem fechadas – e o Senhor Trump sorria afeito, claro, a esse ambiente. Não parecia uma foto normal de uma família, bem sim uma ostentação fútil da riqueza. Era esta mulher a futura primeira dama dos Estados Unidos depois de uma da natureza de Michelle Obama? Perguntei-me. E foi quando comecei a inquietar-me com essa eventualidade do destino americano, com o destino do mundo. Até então Melania Trump me era totalmente desconhecida, mas não foi essa ignorância que me conduziu a ter interesse em escrever sobre ela, mas sim sua expressão gélida e enigmática. Não fosse Donald Trump seu marido, teria Melania outra expressão? Não quero vê-la como um clichê, resumindo-a em poucas palavras, assim seria muito fácil, por outro lado, por que não confrontá-la com aquilo que ela expressa? A partir daí não me interessei por quantas cirurgias plásticas ela passou, ou pela sua dieta e pelos segredos de sua maquiagem ou mesmo pelo seu guarda-roupa; meu interesse se debruçou nela, a mulher que era mãe, esposa de um homem tão incalculável como controverso, e por fim primeira dama de uma superpotência. E ainda mais: tudo isso começara só com a sua vontade e realização de ser modelo? Assim os americanos deviam estar contentes com a confirmação de que Melania lhes deu: na sociedade americana pode-se subir na vida: ela subiu e chegou ao ponto mais alto que uma mulher pode galgar: ser uma First Lady – mais do que isso, só sendo a presidente do país.

O seu curriculum vitae é o que comprova seu êxito; mas que êxito? O de ser a esposa de Donald Trump? Ou o de ser a primeira dama do país? Para mim as duas coisas, separadas ou não, são por demais pesadas de carregar. David Cay Johnston acompanhou e entrevistou Trump por quase trinta anos para escrever o livro The Making Of Donald Trump, 2016 e disse claramente que para o tal o que conta é o dinheiro, o poder e a fama – e todos nós vimos durante a sua campanha o quanto ele pode ir longe ofendendo as pessoas com as suas palavras – é inconstante, contraditório e cria sua própria realidade, entre outros atributos mais pesados, segundo Johnston. Como viver com um homem com tais características? Existe um amor entre os dois? Em comparação com o casal Obama, os Trump não demonstram estarem satisfeitos um com o outro, pelo contrário, um parece ser a carga do outro.

Melania Trump não se revela, não se dá, falta-lhe o sentido de humor próprio dos americanos, o qual os jornalistas tanto lhe cobram; preserva uma postura austera e assim perde em ser natural e estar relaxada – mas tudo isso não é uma fachada? Acho que sim. Existe uma Melania que sabe sorrir tão naturalmente como a Júlia Roberts, contudo são momentos raros – observei – quando, na maioria das vezes, não está sob pressão, então aí ela não esconde seu contentamento e sorri divinamente; aliás parece-me que existe um paradoxo em Melania: é como se ela exibisse uma fachada e ao mesmo tempo não escondesse nada. Ela não tem medo dos fotógrafos – como uma modelo pode ter medo do seu meio de trabalho? – e mostra abertamente seu desgosto e, pior do que isto, o mostra como um fardo. Muitos falam de seu aborrecimento por ter de acompanhar situações solenes. Não creio. Acho até que, no fundo, gostaria de participar delas de corpo e alma. Mas o que a impede? A meu ver ela ainda não encontrou seu lugar como primeira dama, o que é diferente de ser Mrs Trump. Mr Trump domina tudo, rouba-lhe espaço, a põe em segundo plano; falta a ele a espontânea cordialidade de Barrack Obama para a sua mulher, refletida até com humor quando se referiu à „horta de tomates de Michelle“ posta em perigo pela chegada de um filhote à Casa Branca. Via-se um elo entre os dois, um forte sentido de parceria; com Melania e seu marido porém, é diferente.

jacqueline Kennedy, que junto com Betty Ford seria um modelo para Melania, afirmou que primeiro ela era esposa e mãe, para depois ser primeira dama. E Melania? O que é primeiro para ela? Já demonstrou que em primeiro lugar é mãe ao preferir ficar em Nova York até que acabasse o ano letivo do filho, apesar disso ter custado muito caro à cidade através daqueles que pagam impostos. Entretanto Melania pareceu não ouvir as críticas, só ouve a si mesma: „Ninguém me controla“ são suas palavras, o que para mim significam: ninguém pode comigo. Ou „eu sei me arranjar com tudo“, disse à CNN ao ser criticada por ter repetido as palavras de Michelle Obama no seu discurso pela Convenção Nacional do Partido Republicano, o que a frase pode significar: nada me põe abaixo. Melania vem de uma cultura igualitária, de um círculo familiar de classe média padronizada pelo convívio socialista, sem chance de subir financeiramente – o que não tem nada que ver com a cultura americana – sabe o que é trabalhar sem simulações e aguentar sem se dobrar. Embora a Ioguslávia tivesse um dos regimes socialistas mais livres, mesmo assim era uma ditadura, e as carências produzidas por uma ditadura produzem, a sua vez „almas escuras“. E eu acho que Melania sofre, mas não se entrega porque sabe lutar e ao mesmo tempo estabelecer limites. Numa das fotos da posse do marido à presidência, ela aparece ao lado de sua enteada, Ivanka Trump, e, com uma expressão rígida, faz um gesto com uma das mãos levantada significando stop, ou seja, pare. Para mim um gesto de exigir respeito do outro, o que não deixa de ser nobre. Lauren A. Wright, do jornal Washington Post, disse que Melania não quer se comportar segundo o modelo de uma clássica First Lady, e „melhor para ela“ diz a colunista. Wright diz que uma possibilidade para Melania seria romper com o preconceito de como uma primeira dama deve ser vista e o que tem que fazer, e daí ganhar reconhecimento da sociedade. Também a sua imagem como ex-foto modelo não combina com a imagem que Michelle Obama deixou atrás de si. Para Wright Melania se preocupa com ela mesma, e este „ egoísmo saudável“ é um passo a frente para as primeiras damas do futuro. De todos os modos acho que Melania já está na mira de feministas que se perguntam por quê ela se deixa ficar em segundo plano frente a seu marido; mas mesmo sendo assim, já o ultrapassou em popularidade sem empreender muito para isso. Ela não presta favores à imprensa em aparecer aqui e ali, o que deixa os jornalistas e fotógrafos a esperá-la – Cadê dona Melania que não aparece? – Mesmo durante a campanha eleitoral de seu marido, sua presença foi resumida ao mínimo, a não ser quando teve de proteger sua vida privada contra boatos maldosos. „Não procuro atenção“, disse uma vez. Talvez Melania prefira que a vejam de longe como se vê uma modelo que passa deixando apenas uma fachada: uma modelo não precisa falar, é suficiente o que tem para mostrar – mas quem é a modelo no fundo? – mesmo assim ela personifica o desejo de tantas mulheres em crer que a beleza do corpo é responsável pelo sucesso na vida.

Helen Mirren, atriz inglesa, mas cujo pai era russo, leu o livro de Ivanka Trump, no qual ela diz ser uma feminista. Mirren afirmou que não encontrou no tal livro nada que sustentasse a tese de Ivanka, pelo contrário, o que faltava no livro era essência de conteúdo. Quanto a Melania, refere-se a ela com sensibilidade por também ter sua origem num país do leste socialista e conhecer „essa alma escura“: „dela ainda podemos esperar“, disse.

 

 

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s